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Após
algumas léguas vencidas, cavalgando com o filho de 10 anos ,
montado na garupa e agarrado à sua cintura, o sitiante chega
à capelinha que abrigava um Santo famoso já, nas redondezas,
pelos milagres realizados.
Adentrado
o recinto, respeitosamente cabisbaixo, procurou um banco nas
proximidades do pequeno altar, onde se pôs a orar.
O
menino, ao seu lado, observou-o espantado e exclamou : Pai !
É u Gregóriu !!!
-Fica
quéto, fiu ! Mai respeitu co santu! Dexa u pai resá ! Tamu
aquí pra levá cura pra mãi qui tá duente !
Sem
a menor chance de convencer o pai, o menino calou-se.
Entremeando
as palavras da oração , vinha-lhe ao pensamento que, seu
filho, nunca houvera visto uma imagem de santo na sua, ainda
curta , existência e, assim sendo, estava comparando aquela
imagem, à um trabalho seu, caprichosamente elaborado em
madeira, resultante da engenhosidade de seu autodidatismo como
"escultor"! A figura, após vestida com roupas
velhas, servira de espantalho à pássaros, na lavoura do
pequeno sítio, onde cultivava arroz, até um dia em que, numa
tempestade, desapareceu, possivelmente levada por uma
caudalosa enxurrada !
Sabendo
da existência do Santo, a esposa pediu que ele fosse até àquela
igrejinha, onde havia uma água benta, que curava as pessoas .
Ela tinha certeza de que aquela água, a haveria de curar !
Terminada
a oração, o homem levantou-se e se dirigiu ao altar, onde
haviam algumas garrafas cheias de água. Após deixar algumas
moedas, numa pequena caixa de madeira, apanhou uma das
garrafas e, levantando a cabeça , vagarosamente, constatou,
boquiaberto que, realmente, aquela imagem era o espantalho,
cujo nome,
Gregório,
o próprio filho havia idealizado !
Preocupado
com a descoberta e temendo a indiscrição do menino junto à
mãe, interpelou-o : Fiu, ce vai prometê u’a coisa pro pai
. Num vai contá pra mãi qui u Santu, num é santu, é u Gregóriu
memo, tá ? Ela vai bebe essa água e vai si curá!
-Intão
u pai tamem viu qui é u Gregóriu ?
-Vi
sim fiu . Mai, agora ele é Santu !
-Tá
cumbinadu, pai !
Desnecessário
seria dizer que, a mulher alcançou a cura almejada !
Autor
: Adolpho J. Machado
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