
Na madrugada dos sentimentos,
Parte a débil jangada da esperança.
Com a coragem ingênua em proventos,
Inspirada pelo sonhar de mudança.
Acolhida pelas águas inconstantes,
De um mar de humor caprichoso.
Deixa para trás rostos em nuances,
Procurando provável futuro ardiloso.
Não pensa o que deixa, tola jangada,
Parte em busca de um horizonte qualquer.
Não vê que a maré a mudanças é dada,
Não vê a tempestade em andamento, sequer.
Jangada que procura vida sem pensar,
Encontra na próxima vaga de um mar revolto,
Pedaços de felicidade jogados a boiar,
Estilhaços do amor que ao vento foi solto.
Não sabe se volta jangada amargura.
Não sabe se algo vai encontrar.
Esquece da praia onde ficou a doçura,
Por dias e dias a lhe esperar.
Assim vai a jangada, agora sem rumo.
Assim entra a renúncia salgada do mar.
Agora sabe que é jangada sem prumo.
Agora sente a dor infinita do desamar.
NANY SCHNEIDER
16/06/2008 23:42
Curitiba - Paraná
Música de Dorival Caymmi:
A JANGADA VOLTOU SÓ
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