Arrasta
pé no paiol
Vamu
logo meu moreno
Que
o baile vai começa
Nóis
temo que chegá logo
Pra
morde nóis se ajeita
Tem
muita gente na festa
E
cadeira vai farta
Dispóis
a gente se infeza
Quando
quisé descansa
Vamu
logo, criatura
To
louquinha pra dança
Vai
ser uma gostosura
Nosso
corpo chacoaiá
E
tem bastante comida
Bolinho,
pipoca e quentão
E
ainda tem quadrilha
Sanfoneiro
e violão
Tem
doce, canjica, mendoim
Fogueira
que é pra esquentar
Ôce
fica pertinho de mim
Pra
gente podê namora
Na
hora do foguetório
Nóis
pode até se junta
No
meio do falatório
A
gente proveita beijar...
Vai
rolar muita folia
O
arrasta pé vai se bão
A
orde é ter muita alegria
Nesta
noite de São João!
Priscila
de Loureiro Coelho
Jacareí
– São Paulo

Ocêis
num pode perdê...
Nós
viemo aqui tra veis
qui
é prá modi relembrá
em
junho, no arraiá, festa pro cêis
vai
memo se de arrebentá
Nóis
qué que ocê aqui
na
baita festança
ve
se vem, pa ficá
cum
os cumpadis, sua muié e muita dança
Eita
que baita alegria
cum
quentão, pipoca e vinho
muita
brincadera, muita fulia
e
também aqueles docinhos
Prá
nóis finalizá
ocêis
num vai se arrependê
um
festa assim legar
ocêis
não pode perdê!
Sueli
do Espírito Santo
Sue2001
16/06/2005

DIA
NO SERTÃO
Uns raio da madrugada
da casa, vara o cipó...
e ao som da passarada
alevanto, qui é mió!
- êta dia!
Com
uns gole de café
descenu goela abaxo
no quintal os garnisé
qué mostrá quem é o macho!
- Dias, galinhaiada!
Mai
ansim memo os piado
da passarada em bandu...
Inté fico arrepiado
di ouví elas cantanu!
- Canta qui tá bunitu!
Um
banquinho, o calderão
pras mimosa ordenhá...
Vô seguidu pur meu cão
qui pára pra se coçá!
- Vem, sarnentu!
O
sol já vai lá bem quente,
quanu arreio o alasão...
Vô aboiá o meu gado
pras banda do riberão!
- ôôa, zarôio!
Quanu
chega a tardinha,
alegria mi conforta...
Dô uns bejo na Ritinha
e du quarto fecho a porta!
- Bas noite, cumpadraiada!
Maria
Mercedes Paiva
junho
2005
FESTA
NO ARRAIÁ
Eita...
festança essa!
Ta
mio de boa...
Hoje
garro meu João,
Estalo
um bejo naquele beição...
Quero
esse cabocô cherozo!
Das
foia do mangericão,
Ou
todo prefumado do capim limão.
Só
num quero ele... fedido e tudo suado...
Vem
cá, vem!
Num
foge de eu não...
Dispois
que ocê me prová,
Outra
muiê vai querê mais não...
Vai
vim... ou afrouxou...?
Nadir
A D’Onofrio
16/06/2005
Santos

MÊS
DE JUNHO
As
festas começam com Santo António
Dia doze é
o dia do santo casamenteiro
É
para ele que fico rezando o dia inteiro
Na
esperança de arrumar o meu casório
Todo
o arraial fica enfeitado, sanfoneiro
Foguetes,
balões, bandeirolas coloridas
Vestidos
de chita, chapéu de palha, fitas
A
camisa xadrez e remendo costumeiro
Logo dia vinte
e quatro dia de São João
Mais
um dia de festa, é cerimônia na roça
Namoro
que vai longe entre rapaz e moça
Gostoso pular
fogueira, iguarias e quentão
Para terminar
vinte e nove, mês de junho
O
dia de São Pedro, um santo de respeito
Tem
a chave do céu, como porteiro eleito
Dia
de muito frio, então esquenta o vinho
Para
animar esta festa tem o pau de sebo
E
quem subir enche o bolso de trocado
O
casamento para este ano já marcado
O
padre, padrinhos a noiva e o mancebo
Tem muito churrasco,
pipoca e pinhão
Com quadrilha
para animar a festança
Até
o padre sisudo entrou nesta dança
mês
de alegria de felicidade e emoção
Renate
Emanuele
ZEFINHA
E EU NO ARRAIÁ!
Zefinha
tu já ta pronta, pra festa no arraiá?
bota
aquela rôpa nova, hoje nós se arrebenta,
ocê
só num pode , de modo argum, inventá,
de
cumê batata doce, senão nós num guenta.
Se
juntá espiga de mi, cum batata doce assada,
Vai
ser um perigo danado de a fuguera apagá,
Num
se aveche muito, nem ande tanto apressada,
Pois
vai sê foguetão por cima e bomba de rastejá.
Nun
saia de perto deu, pois cum esse teu oiado,
Vai
tê nego pensando besteira, assim num vai dá,
Eu
fico logo desnorteado, raivoso, mei aguniado,
Eu
ranco as tripa dum, sô,
inté, capaiz de matá.
Tombém
ocê nun
invente de querê a fugueira pulá,
Pois
no ano passado, lembra como se assucedeu?
Dona
mariquinha, disprivinida, trupicou ao sartá,
Foi
um arvoroço
danado,só se sentiu o sapecá.
Aquelas
pamonhas cum sá e
os potin de canjica,
Qui
dona Toinha faiz, parece uma porçã sagrada,
Fui
cumê, tu ti alembra, me deu aquela tiririca,
Curri
pro mato feito dôido, numa aflição danada..
E
na hora do casamento, o noivo mei abestado,
Pensô
qui era de verdade e falou pra xiquinha,
Hoje
ninguém mi segura, vai sê pau pra todo lado.
Foi
perciso uns caboco forte, para segurá o pestinha.
E
aquela dança afobada,qui parece briga de foice,
Um
roça roça atrivido, qui o nego anda de lado,
Pru
mode nun dá na
vista, o caba sai é no coice,
Zefinha
fica cum eu, eita meu São João arretado.
Tu
viu aquelas vinguinhas, percurando namorado,
Infiando
a faca na bananeira, pru nome aparicê,
Oiando
na bacia d`água, se o caba tava acuado,
Ainda
bem minha nega qui eu já to cum ocê.
Essa
alegria sadia, sob o lindo luar do sertão,
Além
de uma festa bonita, é um agradecimento,
Uma
reza muito forte para acordar São João,
Para
que ele interceda e nos dê o alimento.
Bernardino Matos
Fortaleza,
16 de junho de 2005.

TÔ
CHEGANGO!!!!
Oi
Gente linda!
Aqui
estou chegando
vim
cantando, vim dançando,
rebolando,alegrinha
pro
forro bem animar....
Vesti
meu vestido de chita
cheios
de flores coloridas
para
ficar bem bonita
e,
um lindo par arrumar
e,
com ele noite inteira dançar...
Quero a fogueira pular
Quero a quadrilha dançar
Quero canjica comer
Quero beber
quentão
pra
aquecer meu coração...
Êta
festa animada
quanta
gente bonita...
Tanto
homem, tanta mulher
Vamos dançar moçada
Vamos
usar a alegria
para
nos enfeitar.
by
Penhah Castro.
AMOR
NO ARRAIÁ
Aqui
donde moro,
nesse pedaço de chão,
Ranchinho
do Céu,fico oiando a tela du
infinito,
vaga-lume cá na grama
parece
que pula lá, tão marelinho.
Di repenti, o crepúsco convida prá
mim ir
no arraiá da alegria na Fazenda
Esperança, a modo di encontrá ela,
a menina de ouro do meu coração.
Basta vê, meu coração fica todo acovardado,
tem que se desta vez......corage!
Tomando sua mão fomo prá quadria.
Ela é o botão do meu jardim.
Quero
casa com ocê, naquela igrejinha
no
auto daquela barranca, nesta Fazenda Esperança.
Vamo
se noivo di verdade da quadria,
vai
mora ocê mais eu no Ranchinho do Céu.
Vo
vive só prá
te ama, como aquele casar de borboleta.
Maria
Helena Mendonça Quinhones
Campo
Grande, MS

PRECE
CAIPIRA
É Noite de São João!
Lumiano a iscuridão;
Eu vô fala em ligero
Bondoso Santo casamentero
Dentro do peito o coração,
Tem as bandêra da inluzão;
I faz prece de Santontoinho
Bom casamentero da igreja
Eu
rezo pra ocê mi arruma
Quáge sempre, todo dia,
Nesta Festa de Alegria:
Bendo
sonho e prazê! Um
parceiro deste mundo, iscutá
do meu peito ladainha !
Efigênia
Coutinho
"Arraiá"
de São João
Os
fogos anunciavam
a subida dos balões,
que o céu iluminavam
a noite de São João.
Barraquinhas
de pipoca,
cachorro quente e quentão,
a moça vendendo "bitoca"
e os moços dizendo:- Que "bão"!...
Com
balões e lindas bandeiras,
o "arraiá", estava enfeitado,
para as muitas brincadeiras,
sem poder ficar sentado.
No
auge da festa animada,
no quintal entra a quadrilha:
À frente a noiva mimada,
com a barriga na virilha.
O
noivo, o bem amado,
tremia sem parar
de medo do sogro armado,
que só fazia gritar.
O
padre só gaguejava
em frente a tal situação,
e a mãe da noiva rezava
pra acabar a confusão.
Casamento
realizado,
o sogro se acalmou,
o amor estava selado
e a festa continuou.
Autoria:
Simone Borba Pinheiro
Data:22/ 05/ 03